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FONTE DIGITAL ADRENALINA

A dissertação de mestrado "Os Tipos Gráficos da Pichação: Desdobramentos Visuais" pesquisa de mestrado sobre pichação defendida por Gustavo Lassala na Universidade Mackenzie em 2007, teve como um dos estudos a fonte digital Adrenalina, que começou a ser produzida em 2003, antes mesmo do início deste estudo, sendo apresentada no anteprojeto de pesquisa.

A Adrenalina-sp não havia sido concluida, pois uma fonte digital só é considerada completa quando possui todo o seu set de caracteres, incluindo caixa alta, caixa baixa, caracteres especiais, e sinais de acentuação e pontuação, podendo assim ser digitada e usada por qualquer usuário sem que cause frustração ou falte algum caractere na hora do uso.


figura 1.1 - A fonte digital Adrenalina-sp em 2003

O processo de produção da Adrenalina-sp, foi continuado aproveitando os caracteres desenvolvidos anteriormente e agregados novos. Na escolha dos caracteres foi percorrido o total de fotos realizadas na pesquisa de campo, o que permitiu uma visita constante e repetitiva as mais de 800 fotos captadas.


figura 1.2 - Algumas das fotos captadas

Lembrando que as letras captadas são definidas como tag reto (letras feitas pelas grifes de pichadores).



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O QUE É TAG RETO?


Tag é um termo que deriva da denominação utilizada pelos grafiteiros e tem origem em Nova York, e quer dizer assinatura. O tag reto foi difundido pelos pichadores de São Paulo e é mais que uma assinatura, já se tornou um estilo de letra.
Surgiu como elemento diferenciador dos grupos de pichadores que foram buscando desenhos próprios para as letras, “com quebras lembrando o estilo gótico” como afirma Lara (1996) ou até mesmo, influenciados pelas capas de disco de músicas de punk e rock da época. Esse estilo de letra é caracterizado por letras retas, alongadas e pontiagudas, que procuram ocupar o maior espaço possível no suporte, o surgimento deste estilo de letras típico de São Paulo é único no mundo.

Este é o estilo de letra com maior número de intervenções nos muros da cidade, fato que o levantamento fotográfico realizado na pesquisa comprova. A visualização repetitiva, permitiu a construção de um olhar crítico sobre o próprio trabalho e a pichação como um todo. Portanto, cada caractere ao lado foi “pescado” direto do seu hábitat natural e conduzido à adaptação técnica necessária para se transformar em uma fonte digital. Vale observar que esse processo de digitalização é sempre um processo de perda de resolução e qualidade de imagem.


Figura 1.3 - Fotos de onde origem os caracteres.

 

As letras não possuem exatamente a mesma textura se comparado a sua visualização na parede. Para minimizar esse processo de perda, os desenhos foram manipulados o mínimo possível, alterando hastes, altura ou largura. O processo utilizado teve o objetivo de manter uma unidade no conjunto formando letras e palavras com coerência visual.

O critério de escolha dos caracteres não se ateve as palavras compostas pelas grifes, muito pelo contrário. Nesse sentido ele foi aleatório, pois pode-se perceber o “y” ou o “r” utilizado por uma determinada grife de pichadores, mas que no conjunto buscam uma unidade em si. Os números e todos os caracteres de “a” até “z”, tanto na categoria das caixa alta, quantro das caixa baixa foram formados a partir das fotos.

Alguns caracteres de acentuação ou especiais não foram encontrados nas fotos e foram construidos tendo como base a lógica visual do conjunto restante ou até mesmo criados a partir do desenho de outros caracteres, por exemplo; $%&®´¨ªº¿¡@.
Figura 1.4 -caracteres desenhados tendo como base a lógica do conjunto

Na família das letras, caixa baixa foram aproveitados os caracteres da primeira geração da fonte produzidos em 2003. Esse aproveitamento se deve ao fato dos caracteres apresentarem uma unidade maior e não possuirem formas rebuscadas, respingos de tinta ou muita textura.
abcdefghijklmnopqrstuvwxyz.

Figura 1.5 - composição do texto em caixa baixa

Na construção da família, caixa alta foram privilegiadas as letras com desenhos mais rebuscados, preservados texturas e respingos de tinta, sempre que possível. Foi buscada oposição do que foi descrito com a formação da caixa baixa e mantendo uma segunda formação de letras diferentes. Assim a caixa alta é uma opção mais “agressiva” de composição, embora o usuario digitando no seu software tanto caixa alta ou caixa baixa apareçam caracteres maiúsculos.
ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ.

Figura 1.6 -composição do texto em caixa alta.

Há possibilidade de se compor um texto misturando letras caixa alta e caixa baixa, que neste caso formarão palavras apenas com letras maiúsculas, mas com diferença de estilos e com opções de variação de desenho numa mesma palavra. Assim a fonte digital permite a contrução de textos orgânicos e cambiantes.
Figura 1.7 -composição de palavras com caracteres cambiantes, observe as letras "a", "i", "s", "c", "t"e "r" .

Nos softwares profissionais de produção de fontes, os acentos normalmente são formatados em conjunto com as respectivas letras. Respeitando esse princípio, aproveitou-se a oportunidade para incorporar variações de desenho de letras para compor a família. Tendo assim mais um elemento de variação estilo.
ÄÂÃáàâÄåÀÁãÉÈêèéëÊÖÖÓÔÒóòôöõíìîïÎÏúùûüÚÛÍÿŸÑççñ

Figura 1.8 -caracteres acentuados

Abaixo o set completo de caracteres finalizado em janeiro de 2007.

Figura 1.9 -fonte digital completa

Poster produzido com a fonte.


http://www.myfonts.com/fonts/gustavo-lassala/adrenalina/




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- 09/2005 - Entrevista para o site Tipos Populares falando sobre o início do projeto

- 10/2006 - O trabalho foi mostrado por Marina Chaccur em palestra de título: Brazilian Type Forum - images from the lecture presented at AtypI Lisbon 2006.

- 02/2007 - O trabalho foi mostrado por Marina Chaccur em palestra extraordinária do T-Convoca em Buenos Aires - FADU/ UBA, dia 23 de fevereiro de 2007.

- 03/2007 - Gustavo Lassala, acaba de entrar para o seleto time de designers brasileiros com fontes sendo vendidas comercialmente no mercado mundial, usando como representante o maior distribuidor mundial de fontes, MyFonts.Com. Confira o link no blog da intellecta design.

- 03/2007 - Artigo no site Tipografos.net falando sobre a projeto.

- 03/2007 - Matéria sobre pixação no blog aerosol com link para a tipografia Adrenalina.

- 04/2007 - Adrenalina no newsletter In your face

- 04 /2007 - Adrenalina no blog Design-se

-04/2007 - Adrenalina na comunidade de design Eyepunch

-04/2007 - Adrenalina no site Brasil - Inspired

-04/2007 - Adrenalina no blog Let´s Blogar. A fonte foi adquirida pelo dono do blog que inclusive editou um post muito simpático.

- 02/06/2008 - Publicada no livro do Alemão Andreas Conrradi.

- 10/06/2008 - A fonte Adrenalina foi plagiada pelo para compor o logotipo e vinhetas no seriado 9mm da FOX. Veja a comparação aqui: http://www.gustavolassala.com/adrenalina/9mm.jpg. Aqui o site da fox, confirmando com imagens que confirmam o plagio: http://canalfox.com/br/series/9mm

- 03/03/2009 - Usada na revista de skate Vista n.21.

- 20/03/2009 - Usada no Banner do "Seminário Jornalismo Periférico".

- 02/04/09 - Destaque no blog do Myfonts.

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Os textos e imagens contidos no site fazem parte da dissertação de mestrado: Os tipos gráficos da pichação, defendido por Gustavo Lassala na Universidade Mackenzie em 2007. Maiores informações sobre a pesquisa podem ser consultados na biblioteca da Universidade. A pesquisa teve apoio do MackPesquisa.

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